Recentemente uma equipe de geneticistas fez uma versão detalhada da traseira da abelha. Analisaram vários grupos para descobrir o que faz com que diferentes espécies do inseto tenham padrões diferentes em sua parte detrás. A pesquisa foi publicada na Genome Biology and Evolution.

Anteriormente, um gene de desenvolvimento específico (Hox Abd-B) havia sido identificado como responsável pela variação de cor nas extremidades da parte de trás dos bichos. Com o estudo, a equipe conseguiu identificar mais genes envolvidos no processo de pigmentação das abelhas. 

“Compreendendo esse DNA temos o potencial de observar tantas espécies diferentes de abelhas e como elas se diversificaram”, disse Heather Hines, entomologista e geneticista da Penn State University e coautora do artigo, em um comunicado de imprensa da universidade. “Dada a diversidade dessas abelhas, há muito mais que pode ser feito com a descoberta. Este é apenas o primeiro passo.”

Muitos insetos exibem as costas pretas e amarelas; alguns deles até desenvolvem o padrão para convencer outras espécies de que são animais mais perigosos com as mesmas marcas, como uma vespa. Às vezes, dois animais desenvolvem marcas semelhantes. Qualquer que seja o caso do imitador, esses pretendentes da natureza são chamados de mímicos.

Há algum mimetismo local para a comunidade de abelhas, e é isso que a equipe recente estava procurando: quem está copiando quem entre as 260 espécies que exibem cerca de 400 padrões diferentes das extremidades traseiras. Eles estudaram uma espécie em particular: Bombus melanopygus, a abelha de cauda preta ou laranja.

Há muito preto e amarelo no mundo dos insetos, mostrado aqui em abelhas mortas. Foto: Wikimedia Commons

Para conduzir a análise genética em uma abelha não comumente usada em pesquisas, a equipe teve que se apoiar nos genomas mais conhecidos e utilizados de outros grupos animais. Felizmente, porém, eles não tiveram que escanear todo o comprimento dos códigos genéticos manualmente.

“O uso de um computador de alto desempenho tornou este tipo de pesquisa mais gerenciável e reproduzível”, disse o autor principal Sarthok Rahman, biólogo na Universidade do Alabama, no mesmo comunicado. “Por ser um organismo não-modelo, temos que usar outras fontes genômicas de Moscas-da-fruta e camundongos, por exemplo, para pesquisar o DNA e atribuir a identidade.”

A equipe descobriu que mais adiante no código genético do gene Hox previamente identificado (Hox sendo um tipo de gene do desenvolvimento que regula estruturas nos corpos dos animais), um monte de genes são responsáveis ​​por diferentes proporções de eumelanina (que rege a pigmentação preta) e feomelanina (que lida com as cores vermelhas) nas abelhas.

“Isso realmente contribui para a pesquisa genética evolutiva, que é um campo em crescimento que está sexpandindo para ser mais comparativo”, disse Hines. “À medida que avançamos, os pesquisadores estarão observando como os genes e as vias dos genes evoluíram em uma diversidade mais ampla de espécies”.

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A pesquisa não irá acabar aqui, com o sequenciamento genético das abelhas. Os resultados oferecem novos insights sobre a coloração do mundo dos insetos, Contudo, o código genético não é um documento fácil de ler. Esperamos que os cientistas possam entender a coloração desses insetos mais rápido do que estamos matando-os.