Nos últimos dias o Facebook tem sido alvo de inúmeras críticas após uma série de vazamentos sobre o funcionamento interno da empresa.

Segundo documentos expostos pela ex-funcionária Frances Haugen, que delatou a companhia no mês passado, há uma lista de nações que mais correm riscos e que precisam de “cuidados especiais”, e o Brasil está nesse elenco.

Dados obtidos pelo consórcio de veículos de imprensa que integram o Facebook Papers, série de reportagens baseada nos documentos vazados da empresa de Mark Zuckerberg, mostraram que no final de 2019, um grupo de colaboradores encarregado de prevenir danos à rede se reuniu para discutir o ano que se iniciaria e como algumas coisas deveriam ser tratadas.

Na Cúpula Cívica, como foi chamada, os líderes anunciaram onde investiriam recursos para fornecer proteção aprimorada em torno das próximas eleições globais — e também onde não o fariam. Em uma mudança que se tornou padrão na empresa, o Facebook classificou os países em camadas.

Brasil, Índia e Estados Unidos foram colocados na “camada zero”, com maior prioridade. A plataforma nomeou “salas de guerra” para monitorar a rede continuamente, modelo semelhante ao que foi testado ainda em 2018. Eles criaram painéis para analisar a atividade da rede e alertaram os funcionários das campanhas sobre quaisquer problemas.

Além da “camada zero”, ele também fez uma camada chamada “primeiro nível”, essa lista está abaixo da “camada zero” na ordem de importância e possui países como Alemanha, Indonésia, Irã, Israel e Itália.

Eles receberiam alguns recursos a menos, mas manteriam analises constantes de postagens do site. Uma espécie de segunda camada adicionou 22 países na listagem de “primeiro nível”, mas sem as “salas de guerra”. O resto do mundo foi colocado no nível três.

Para os dois últimos casos, o Facebook revisaria o material relacionado à eleição se fosse encaminhado a eles pelos moderadores de conteúdo. Caso contrário, não iria intervir.

Pode parecer efetivo, mas a rede social acabou deixando muito países em situações políticas tortuosas sem assistência. Não tinha classificadores de desinformação em Mianmar e Paquistão, por exemplo,  países que enfrentam um golpe de estado.

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Também faltaram classificadores de discurso de ódio na Etiópia, que está no meio de um conflito civil armado.

Em dezembro de 2020, um esforço para colocar moderadores com localização linguística teve sucesso apenas em seis dos dez países de “nível um”, e em nenhum país de “nível dois”.